Dores crônicas afetam a vidas das pessoas e se transformam em doenças



Natasha Pitts
Adital
Sentir dor não é normal, mesmo assim milhares de pessoas convivem por anos com dores crônicas, utilizando-se, muitas vezes, da automedicação para aliviar o sofrimento. Assim, problemas como enxaqueca e dores nas costas e articulações, que podem ser tratados com acompanhamento médico, exercícios físicos e medicação correta, acabam prejudicando a qualidade de vida de quem as sente.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 30% da população mundial sofram com dores crônicas, que são aquelas que persistem por mais de três meses. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), cerca de 60 milhões de pessoas convivem com esse problema. Do total, 50% têm a vida e as atividades cotidianas afetadas.
Outro tipo de dor é a aguda, que pode ser interpretada como um sinal de alerta para mostrar que o corpo não está bem. Mas é a dor crônica que inspira mais atenção e cuidados, pois acaba com a qualidade de vida e dificulta a movimentação, a agilidade e a prática de atividades corriqueiras, situações que, muitas vezes, acabam afastando as pessoas da vida social e profissional.
"A dor para a vida das pessoas e as afeta de todas as formas. Quando se torna crônica, a dor se transforma em uma doença, a dor total, que é caracterizada por lesão orgânica e perda funcional e acaba por tirar a pessoa do ambiente familiar e de trabalho. Esse tipo de dor também acaba causando distúrbios psiquiátricos, pois a pessoa se sente obrigada a conviver com o problema e a se afastar da vida social”, explica a médica anestesiologista Liane Brito, especialista em dor e presidente da Sociedade Cearense para o Estudo da Dor (Seced).
Para alertar e conscientizar a população a SBED desenvolveu a campanha "A dor para a vida das pessoas – Pare a Dor”. Uma das iniciativas da campanha é a caminhada "Pare a Dor”, desenvolvida desde 2009 em várias cidades do Brasil. O evento é gratuito e periódico e busca estimular a prática de atividades físicas como forma de melhorar a postura, a respiração, a força e a flexibilidade, trazendo como benefício a redução da dor. A iniciativa é também uma maneira de conscientizar a população para a importância de se buscar, o quanto antes, ajuda profissional.
"As pessoas demoram a procurar um especialista pela facilidade de acesso aos analgésicos e por desinformação. Muitos não sabem que existem especialistas e uma equipe para tratar o problema, e que existem tratamentos não medicamentosos, então começam a tratar momentaneamente e quando não veem resultado pensam que não há mais o que fazer”, esclarece.
A médica também faz um alerta sobre a automedicação, ressaltando que a ingestão indiscriminada de analgésicos, além de provocar intolerância aos medicamentos, pode dificultar a resposta a outros fármacos. "Há também os riscos intrínsecos aos medicamentos e o risco de lesões no fígado”, lembra.
Em várias cidades, a caminhada "Pare a Dor” acontece mensalmente. Em Fortaleza, Estado do Ceará, a próxima está marcada para este domingo, 27 de abril, a partir das 7hg30. O ponto de partida será a Praça dos Estressados, no calçadão da Avenida Beira Mar. Quem quiser participar basta comparecer ao local, preencher uma ficha e pegar a camisa da campanha, que deve ser usada durante o percurso.
A caminhada será acompanhada por uma equipe de saúde formada por educadores físicos, enfermeiros, médicos e fisioterapeutas, que, posteriormente, atenderão gratuitamente aos participantes orientando sobre os tratamentos adequados.

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