A história da Morte da fundadora das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor

          Neste 28 de fevereiro, celebramos a páscoa de nossa Venerável Madre Antonia Maria 
da Misericórdia, fundadora da Congregação das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor.
Conheça um pouco mais da força, do amor, da fé, de esperança e profecia desta mulher naquele tempo, através de trechos do livro: “A venerável Madre Antonia- A Pedagogia do Amor”.

"No início de 1898, a saúde da Madre inspirava sérios cuidados e, se não dizemos que deixava pouco lugar à esperança, é porque a esperança é a última que morre. Entretanto, indícios de rápido desenlace tampouco se verificavam. A idade não era demasiado avançada; a Madre não fizera ainda setenta e seis anos. Quantas de sua idade se viam gozando de boa saúde! Por que não haveria de recuperar-se e continuar vivendo a querida enferma? Além disso, afora algumas escassas exceções, que os médicos lhe tinham imposto, a Madre seguia quase em tudo a vida de Comunidade. Claro que esse milagre se devia também, e em sua maior parte, à sua força de vontade e a seu amor à observância regular, que nela não teve esmorecimentos nem com os anos nem com as doenças. Na última Circular sua escrita em janeiro de 1898, não se percebe um perigo de gravidade. Ela não atribui às enfermidades a impossibilidade de visitar as casa, mas ao defeito da vista: “Estou quase cega”, escrevia; não falava de nenhum outro empecilho. E se por meio de uma operação quisesse o Senhor devolver-lhe a visão, já não haveria obstáculo que impedisse o que para ela e para suas filhas seria um inefável consolo; isto é, a visita das casas. Não obstante, faltava pouco mais de um mês para que Deus a levasse para a sua glória. (...)
 
Foto original da Fundadora
A Madre suportou a perda da visão com admirável resignação, segundo declaram unanimemente todas as Irmãs que dela trataram nos últimos anos. A cegueira não era completa, como se deduz das palavras antes citadas de sua última Circular. (...)
 
Mesmo com a saúde frágil, Venerável Madre Antonia continuou no seu posto de comando, que era o convento de Ciempozuelos, a Superiora Geral seguia atentamente o andamento da Congregação e a governava com o acerto que lhe davam sua longa experiência, seu conhecimento do pessoal e dos negócios da casa, bem como o espírito de Deus, que a animava e a levava como pela mão. Pode-se dizer, com a Crônica de Ciempozuelos, que ela governou o Instituto até seu último suspiro. Dava hábitos e recebia votos das professas. No dia 6 de janeiro de 1898, deu o hábito a quatro noviças; no dia 20 de fevereiro recebeu os votos de outras cinco. Dava com frequência instruções às Irmãs, às noviças ou às moças, e velava sem descanso pelo avanço espiritual de todas. (...)
 
Uma Irmã conservou os conselhos que ela lhes deu três dias antes de morrer. Um dia, dizia-lhes: “Minhas filhas, tenham muita caridade umas com as outras; ajudem-se umas às outras; amem-se muito santamente todas; saibam todas suportar e tolerar umas às  outras; não falem dos defeitos das outras, pois todas nós os temos... Suportem-se a si  mesmas; se tiverem de suportar  algo em seus afazeres, suportem-no o melhor que puderem  e não façam sofrer as outras. Recebam como vinda de Deus a Superiora que lhes for dada. Comportem-se bem com ela; terá defeitos como todas os temos, eu também os tive;  respeitem-na e não a façam sofrer... Eu amei a todas com verdadeiro carinho de mãe e continuarei fazendo o mesmo por toda a eternidade... Cumprimentem de minha parte cada uma sua família, que me despeço delas; gosto muito de todas elas e estou muito grata por seus favores; que me recomendem... Portem-se bem com nossos benfeitores e não se esqueçam de rezar por eles, pois muito lhes devemos... Que seria de nós se não fossem eles?... Também me preocupo muito com as moças e as Marias. Pobrezinhas! Não as esquecerei! Quanto trabalharam! Não as esquecerei por toda a eternidade...”. ‘Dizia-nos tudo isso com voz muito baixa, o que nos fazia chorar a todas.’
 
“Também temos de agradecer muito ao senhor capelão tão bom que temos. Quanto bem tem ele feito a mim nestes dias! Nenhum confessor me teria ajudado tanto quanto ele...”
Uma Irmã lhe disse: "Madre dê-nos agora a sua bênção." Pôs-lhe o crucifixo na mão e a Madre começou assim: “A bênção do Pai o amor do Filho e a Graça do Espírito Santo. Amém." E prosseguiu dizendo: “Esta bênção não tem indulgências, de maneira nenhuma; e eu a dizia todos os dias na capela, dirigindo-a ao Senhor para as Marias, para as moças e para os benfeitores, e sempre me dei muito bem com ela.”
Ela nos dizia tudo isso depois de jantar, e não podíamos nos afastar dali... Ela nos dizia: “Vão deitar-se, que não podem fazer nada por mim.” Nesse momento, chegou o capelão e ela lhe disse: “Padre, estas filhas não me obedecem.”
-Sabe o que acontece com elas? Replicou o capelão. Exatamente o que acontece com Vossa Reverência: custa-lhe deixar duas filhas, não é Madre? -De fato creio que me custa, respondeu com voz tênue.
-Creio que Jesus lhe perdoará essa pequena desobediência, não acha? - Eu...creio...que...sim. (...)
Seus lamentos eram estes: “Meu Jesus, daí-me forças para sofrer por vosso amor e em satisfação de meus pecados". (...)
 
No dia 27 um dia antes de sua morte, Madre Antonia teve uma piora em seu estado. O médico foi visitá-la pela manhã e a encontrou mal, mas não deu a esse estado a importância de desenlace próximo. Quando voltou à tarde, quando já haviam cessado os vômitos, encontrou-a tão melhor que julgou já ter passado o perigo.
Em vista disso, a Comunidade se retirou para descansar. A enfermeira se ofereceu para velar com outra Irmã.As duas permaneceram dissimuladamente no quarto contíguo. Um instante depois, ouviram que a Madre se movia e correram para ver se precisava de ajuda.
Ela tinha descido da cama e, com muito trabalho por causa da sua corpulência, conseguiram deitá-la novamente, pois si mesma já não podia subir, embora sua cama consistisse em alguns banquinhos muito baixos, sobre os quais repousava uma tábua, acima da qual seu pobre e duro enxergão de palha. (...) 
 
Quando chegou o doutor Deogracias, o médico de Ciempozuelos, que durante tantos anos tratara da Madre, prognosticou que lhe restavam poucos momentos de vida. Enquanto isso, as Irmãs e a maioria da Comunidade, que tinha sentido o movimento das Irmãs e o apressado chamado ao capelão, se levantou e tentou chegar ao quarto da querida Madre, cujas últimas palavras e último alento queriam receber, como triste consolo dentro do incomensurável da pena que as inundava. Não podendo-o conseguir, choravam e pediam com clamores pela amada agonizante, rezando as orações da Igreja a fim de que Deus a ajudasse na passagem suprema, e outras orações por sua conta, para que não ficassem sem o carinho de uma Mãe como não tinham visto igual.
 
Como a viu tão bem na segunda à tarde, o médico não viu necessidade de que lhe administrassem os santos Sacramentos; mas à noite o desenlace foi tão vertiginoso que já não se pôde senão administrar o Sacramento da Extrema Unção. Foi um verdadeiro caso de morte repentina, pois somente na última hora se avaliou sua extrema gravidade.
 
Poucos momentos depois da chegada do médico, e em conformidade com seus prognósticos, a Madre Antonia Maria da Misericórdia permanecia como adormecida; mas era o sono da eternidade. Sua bendita Alma voou ao céu no dia 28 de fevereiro de 1898. Em fevereiro tal qual sua mãe. Quinze dias antes de completar  77 anos, quando se perdeu aquela preciosa vida, ou melhor dizendo, quando se mudou  mutatur, non tolliur e, destruída a casa da morada terrena, foi ocupar a mansão eterna nos céus".

Com Adaptações.
Livro: A venerável Madre Antonia - A Pedagogia do Amor.
 Pe. Dioniso de Felipe, Redentorista - 1962
 Editorial El Perpetuo Socorro - Madri - Espanha.
 

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