Aniversário da fundação da 1ª Casa de Acolhida das Irmãs Oblatas


No dia 1º de Junho, a Família Oblata comemora a abertura da primeira "Casa de Acolhida", na Espanha (Ciempozuelos)

Hoje celebramos os 152 anos de fundação da primeira casa, onde padre Serra e Madre Antonia (ainda leiga) acolheram as primeiras mulheres em situação de prostituição.

"No dia 1 de junho de 1864 Pe. Serra e Antonia abriram uma Casa de Acolhida para mulheres prostituídas, em Ciempozuelos, nos arredores de Madri, respondendo ao clamor que ele vinha recebendo em suas visitas ao Hospital São João de Deus diante do abandono e da miséria em que se encontravam as mulheres em situação de prostituição daquela época. “É muito doloroso o que tenho presenciado para ficar tranquilo, sem fazer alguma coisa por elas. Se todas as portas estão fechadas, eu lhes abrirei uma onde possam se salvar”. Neste momento, Pe. Serra tomou a decisão de ajudar essas mulheres.
 

O Projeto da Casa de Acolhida recebeu o nome de Asilo Nossa Senhora do Bom Conselho e foi iniciado por duas mulheres, sendo uma francesa e outra espanhola. Em 1868, Antonia elaborou o regulamento da instituição, do qual emanam os objetivos da mesma: recuperar a dimensão humana das moças acolhidas, ajudá-las a encontrar-se com Deus e reincorporá-las à sociedade, se assim for o seu desejo. Movidos pelo crescimento da missão, Pe. Serra e Antonia fundaram, em 1870, a Congregação de Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, quando então Antonia Maria de Oviedo passou a se chamar Antonia Maria da Misericórdia ou, simplesmente, Madre Antonia, devotando definitivamente sua vida à causa das mulheres em situação de prostituição".

CARTA N° 197 de 1865, Minuta de Dom J.M. Benito Serra,
bispo de Dáulia, ao Ministério do Governo, Madri,
presente na BH VOL IV1, pág. 586-587,

 


UM APROXIMAR-SE DAQUELAS QUE SOFREM
 
          A idéia de se fundar um Instituto que tem como objetivo trabalhar com as mulheres em situação de prostituição vem depois da experiência feita por José Maria Benito Serra idealizador e fundador da Congregação, quando começa a fazer visita ao Hospital São João de Deus onde sente a dor daquelas mulheres. Diante da experiência feita com as mulheres, Serra vai dizer “Isso era demasiado doloroso para que eu pudesse presencia-lo sem determinar-me a fazer algo em seu benefício”.
 
          Ele está se referindo à experiência que faz no Hospital São João de Deus, lugar onde conheceu prostitutas doentes, praticamente em regime de prisão. Ele faz constantes visitas a este hospital. onde as mulheres lhe pedem ajuda, desse modo  ele se permite deixar tocar por esta realidade, tal como Jesus diante da mulher adúltera, ou da mulher anônima na casa de Simão.
 
          Serra também se compadece, sente compaixão daquelas mulheres, para isso a princípio ele pede ajuda aos centros já existentes, pois percebe que depois do tempo de estada no hospital e de serem estas mulheres curadas, não tendo para onde ir voltavam à prostituição. Por isso, Serra acredita que serão necessários locais onde se  possa acolher estas mulheres. Ele  foi “testemunha de manifestações de arrependimento sincero, promessas de abandonar um passado humilhante e de abrir-se ao futuro com esperança que ele não pôde deixar de chamar verídico”. Ele mesmo vai dizer: “Então julgando-me obrigado a imitar o Bom Pastor, quis pôr sobre meus ombros a ovelha desgarrada e fui eu mesmo, várias vezes, de porta em porta pedir a sua admissão nos estabelecimentos destinados a oferecer o arrependimento. Mas em vão não pude consegui-lo”[1]..
 
Serra busca vários centros que possam acolher estas mulheres que saem do Hospital São João de    Deus, mas nada consegue: “Eu quero salvar estas moças; recorri já a todas as casas estabelecidas, sendo necessário algo ou em Madri ou em seus arredores; e se todas as portas se fecharem a essas infelizes, abrir-lhes –ei eu uma onde possam salvar-se...”.
 
          Já que não consegue resposta alguma ele está decidido a iniciar uma obra onde possa acolher estas mulheres, ele sente-se sozinho para começar tal obra e para isso convida Antonia Maria de Oviedo Schontal que durante muitos anos fora educadora das filhas da rainha espanhola Maria Cristina de Borbon. e conhece seu trabalho junto às mulheres.
 
Serra lhe propõe tal missão, principalmente por acreditar ser importante uma mulher em tal obra. Ele conta com Antônia por conhecê-la e saber de suas características e qualidades. A princípio ela resiste, pois sentia uma autêntica repugnância; exprimiu-o claramente em mais do que uma ocasião: “… ainda que me repugne a obra, darei o meu dinheiro e tudo o que possa[2]”….”…..
 
           A resistência durou ainda algum tempo, necessitava ver claramente, e o milagre foi-se realizando; Deus actuava sobre ela e, pouco a pouco foi-se operando uma transformação interior, fruto de um trabalho íntimo, de oblação, que é muito importante destacar. A mudança operou-se lentamente e ela sentiu-o com total realismo.
 
          Em certa ocasião disse ao Padre Serra, “Você dourou-o aos meus olhos - refere-se ao projeto - com tanta mestria, que seria capaz de embelezar o deserto mais assustador”; mas, no fim, reconhece que “a graça venceu sobre a repugnância” e isto foi acontecendo “depois de maduras reflexões, de longas orações e de violentos combates, assim como de uma graça especial de Nossa Senhora do Bom Conselho”[3]. Sim, depois de tudo, decidiu, confiante na graça, tornar Deus o ente absoluto da sua vida, deixar-se levar plenamente, “deixar tudo para encontrar tudo”. . Sim, depois de tudo, decidiu, confiante na graça, tornar Deus o ente absoluto da sua vida, deixar-se levar plenamente, “”.
 
          Assim, acaba aceitando a proposta e inicia com todo seu vigor esta obra que virá posteriormente ser o Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor. Assim temos em 01 de junho de 1864, o início desta obra que tem como finalidade acolher e trabalhar com as mulheres que se encontram em situação de prostituição.

Trechos extraídos do livro – Antonia, Mulher de Inclusão
E da Monografia  A PEDAGOGIA DO AMOR: A PEDAGOGIA DE DEUS COM AS MULHERES EXCLUIDAS, de Fernanda Priscila Alves da Silva.

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